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Religio

domingo, 26 de dezembro de 2010

John Lennon - Happy Xmas - War is over


John Lennon - Happy Xmas - War Is Over (Legendado em Português) por rodriguesdb no Videolog.tv.

O despertar do Ano Novo.



Aprendemos na Receita de Ano Novo, de Carlos Drummond de Andrade, que para ganharmos um Ano Novo não precisamos tomar champanhe ou qualquer outra birita; fazer listas de bons propósitos, que logo esquecemos guardadas na gaveta; chorarmos arrependidos pelos erros cometidos no ano velho; ou acreditarmos ingenuamente que, a partir de janeiro tudo será diferente, por simples decreto da esperança. Para ganharmos um ano verdadeiramente novo, nós teremos de ser dignos dele, construí-lo, ou melhor, despertá-lo, pois, segundo o poeta, é dentro de cada de um de nós que o Ano Novo cochila e espera desde sempre.

Despertar o Ano Novo bem que pode ser associado à palavra réveillon. Réveillon vem do verbo francês réveiller, que significa acordar. Já na sua etimologia, réveillon guarda a ideia de refeição festiva; de festa celebrada à noite, que invade a madrugada e desperta a aurora. Para tanto, há de ser sempre uma festa de muitos convivas, afinal, como nos ensina outro poeta, João Cabral de Melo Neto, um galo sozinho não tece a manhã; é preciso sempre uma comunhão de galos para tecer os fios de sol. E o réveillon, como despertar festivo num banquete de comunhão, pode ser a refeição após a Missa do Galo (le réveillon de Nöel) ou a ceia do dia de ano (le réveillon du jour de l’an), também chamado réveillon de São Silvestre, em homenagem à festa daquele santo, celebrada no 31 de dezembro.

São Silvestre foi Papa da Igreja Católica entre os anos 314 e 355 da era cristã. Antes de ser o Papa Silvestre I, ele teve que viver na clandestinidade para escapar da morte, na fase final da sistemática perseguição cristã perpetrada pelo império romano. Seu pontificado marcou a passagem do cristianismo, de uma igreja duramente reprimida para a religião oficial e triunfalista do império, o que não deixou de gerar muitos problemas, entre os quais a divisão do comando da Igreja entre Silvestre e Constantino, após a prodigiosa conversão deste.

Conta a lenda ou a história ─ talvez ambas, pois para mim não há uma sem a outra ─ que perto do Natal de 312, o imperador Constantino, antes das batalhas contra Maxêncio, viu e ouviu sinais do céu, que o convenceram de que as vitórias sobre o inimigo não seriam fruto apenas de estratégia militar, mas de intervenção divina. Vitorioso, ele proclamou em 313 o famoso edito de tolerância (edito de Milão), concedendo aos cristãos a igualdade de direito com outras religiões, e um ano depois, convocou o primeiro concílio ecumênico de Nicéia, realizado em 325.

Uma das grandes preocupações de Constantino era saber se Deus realmente existia e se Ele poderia ser Jesus. No panteão herdado por Constantino havia dezenas de deuses. Mas no fundo ele buscava a fé numa única divindade, criadora e provedora de todo o universo, que se revelou para o imperador como o Deus dos cristãos, origem, essência e fim da religião que, apesar da intensa perseguição, não só resistia, mas florescia não só pelo sangue dos mártires, como pela proliferação das comunidades, autênticas redes sociais de solidariedade entre os pobres. Por isso, a cruz que viu no céu antes das batalhas, mais do que um fenômeno astronômico, foi compreendida pelo imperador como um sinal dessa inteligência cósmica que ele tanto procurava, fazendo com que a partir de então o milagre acontecesse dentro do coração de Constantino.

Além do edito de Milão, Constantino decretou a devolução de bens da Igreja, confiscados no norte da África, e ordenou a seus oficiais africanos que respeitassem a liberdade do clero construir santuários naquele continente. São Silvestre, por sua vez, tornou-se conselheiro espiritual de Constantino, tendo batizado o imperador, sacramento que, milagrosamente, teria curado o soberano de uma lepra. Grato pela cura, o imperador doou terras ao Papado, que formaram a base do futuro Vaticano. A ligação entre o imperador e o Papa canonizado é tamanha que, entre as várias representações do santo, este costuma aparecer ao lado de Constantino ou batizando o imperador.

Não sei se os poetas Drummond e João Cabral tomavam alguma bebida na virada do ano. Não sei se Constantino e São Silvestre deixaram mofar em gavetas as listas de intenções para o ano novo, nem se choraram o arrependimento por erros porventura cometidos, como muitos de nós costumamos fazer nas iminências do réveillon. Mas certamente eles fizeram por merecer belíssimos anos novos, não daqueles remendados às carreiras, como observa Drummond, mas anos verdadeiramente novos nas sementinhas do vir-a-ser, novos até nos corações das coisas menos percebidas (a começar pelo seu interior), pois conseguiram realizar, cada qual do seu jeito, o milagre de despertar o Ano Novo que cochilava dentro de si desde sempre.

Feliz despertar do Ano Novo!

sábado, 18 de dezembro de 2010

O Holy Night (Celtic Woman)


Letra:


John S. Dwight

Música:

Adolphe C. Adam

Tradução:

Ederson Peka

O holy night: the stars are brightly shining.
Oh noite sagrada: as estrelas estão brilhando.
It is the night of our dear Savior’s birth!
É a noite do nascimento do nosso querido Salvador!
Long lay the world in sin and error pining,
O
mundo ia se consumindo em pecado e erro,
‘Til He appeared and the soul felt its worth.
Até que Ele apareceu e mostrou o valor das almas.
A thrill of hope the weary world rejoices,
Num tremor de esperança o mundo cansado se regozija,
For yonder breaks a new and glorious morn!
Pois ali rompe uma nova e gloriosa manhã!

Fall on your knees,
Caia de joelhos,
O hear the angel voices:
Ouça a voz dos anjos:
O night divine!
Oh noite divinal!
O night when Christ was born!
Noite em que Cristo nasceu!
O night divine!
Oh noite divinal!
O night, o night divine!
Oh noite, noite divinal!

Truly He taught us to love one another.
Verdadeiramente Ele nos ensinou a amarmos uns aos outros.
His law is love, and His
gospel is peace.
Sua lei é o
amor, e Seu evangelho é a paz.
Chains shall He break, for the slave is our brother;
Ele romperá as cadeias, pois o escravo é nosso irmão;
And in His name, all oppression shall cease.
E em Seu nome, toda opressão cessará.
Sweet hymns of joy in grateful chorus raise we.
Doces hinos de
alegria erguemos em côro de gratidão.
Let all within us praise His holy name!
Que todos entre nós louvem Seu santo nome!

Fall on your knees,
Caia de joelhos,
O hear the angel voices:
Ouça a voz dos anjos:
O night divine!
Oh noite divinal!
O night when Christ was born!
Noite em que Cristo nasceu!
O night divine!
Oh noite divinal!
O night, o night divine!
Oh noite, noite divinal!

http://musicaetraducao.com/2007/o-holy-night/Parte inferior do formulário

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Sem restituição não há salvação




Exemplo é bom
e ninguém nega,
dê um bom exemplo,
que essa moda pega.

Refrãozinho bonito, este, veiculado há alguns anos numa campanha publicitária. Mas pra ser bom de verdade, o exemplo não pode ficar só num refrão. Nem se pode passar o Brasil a limpo apenas com discurso inflamado, em que o tribuno se auto-proclama guardião da ética. O melhor é seguir o exemplo de Zaqueu. Para salvar-se, ele não só teve a humildade de fazer uma declaração de culpa, como fez publicamente sua declaração de bens. E não ficou só nisso. Restituiu o quádruplo do que defraudou, pois, em casos de defraudação, sem a restituição do alheio não pode haver salvação.
Padre Antonio Vieira, no Sermão do Bom Ladrão, prega que a lei da restituição é natural e divina, obrigando reis e súditos que tenham condição de restituir o que foi roubado. Daí por que a salvação só pode entrar na casa de Zaqueu depois do cumprimento da lei da restituição, situação diferente da vivida por Dimas, o bom ladrão. Este, sendo pobre, não tinha com que restituir o que roubara. Por isso, a conversão lhe bastou para ter acesso imediato ao Paraíso.
Ensina ainda o sermão, valendo-se das lições de São Basílio Magno, que não são ladrões apenas aqueles que cortam bolsas ou os que espreitam as pessoas que vão se banhar para lhes furtar as vestes. Mais do que estes, merecem o título de ladrões:

...aqueles a quem os reis encomendam os exércitos e legiões, ou o governo das províncias, ou a administração das cidades, os quais já com manha, já com força, roubam e despojam os povos. Os outros ladrões roubam um homem, estes roubam cidades e reinos; os outros furtam debaixo do seu risco, estes sem temor, nem perigo; os outros, se furtam, são enforcados, estes furtam e enforcam.

E, citando Diógenes, que tudo via com vista mais aguda que os outros homens, o Padre Vieira lembra que aquele filósofo, vendo passar uma grande tropa de ministros da justiça, que conduziam alguns ladrões para a forca, começou a gritar: “Lá vão os ladrões grandes enfocar os pequenos.”
Se o sermão merece crédito, vale a pena apostar na lei da restituição. Fazer com que se restitua aos cofres públicos o dinheiro que deles for subtraído; aos destinatários das promessas feitas pelos líderes do povo, a confiança na palavra dada; a todos nós, a crença de que é preciso sempre cultivar a ética.

sábado, 11 de dezembro de 2010

É Natal!



Neste tempo de mensagens tantas, de cartões e de presentes, é forte a imagem do “Santa Claus”, papai Noel de Primeiro Mundo, reinventada pelo desenhista Habdon Sundblom, por encomenda da Coca-Cola, há mais de setenta anos. Nada pessoal contra a figura do bom velhinho, nem contra o patrocínio do refrigerante mais famoso do planeta, mas penso que neste tempo a imagem que deve prevalecer é outra, como a pintada de maneira tão bela no Evangelho de Lucas.

Diz o Evangelista que “naquele tempo”, o Imperador César Augusto baixou um decreto ordenando o recenseamento de todos os habitantes do Império, cada qual em sua própria cidade. Por isso José teve que se deslocar de Nazaré para Belém, terra do rei Davi, isso porque José era de descendência davídica. Levou consigo Maria, sua esposa, que estava grávida.

E em Belém chegou o dia do parto. Maria deu à luz o filho primogênito. Envolveu-o em panos e o deitou na manjedoura, pois não havia lugar na hospedaria.

Na região havia pastores, que passavam a noite no campo, tomando conta de suas ovelhas. A eles apareceu um anjo do Senhor, envolvendo-os de luz. Os pastores ficaram com medo. Mas o anjo lhes disse:

“Não temais, pois vos anuncio uma grande alegria, que é para todo o povo: Nasceu-vos hoje um Salvador, que é Cristo Senhor, na cidade de Davi. Este será o sinal: encontrareis o menino envolto em panos e deitado numa manjedoura.” Imediatamente ao anjo se achegou uma multidão do exército celeste, que louvava a Deus, dizendo:

“Glória a Deus nas alturas

e paz na terra aos homens por ele amados.”

Assim que os anjos se foram para o céu, os pastores disseram uns aos outros: “Vamos já para Belém, para ver os acontecimentos que o Senhor nos manifestou.” Foram com presteza e encontraram Maria, José e o menino deitado numa manjedoura. Vendo, contaram sobre as coisas que lhes foram ditas sobre o menino. Todos que ouviam, maravilhavam-se do que lhes diziam os pastores.

Pois bem. Neste tempo de cartões e de presentes, o exemplo a se seguir é o dos pastores. Deixar tudo de lado para enxergar os sinais que o Senhor continua a nos manifestar. Ir ao encontro de Maria, José e do Menino deitado na manjedoura. E louvar com a multidão da milícia celeste:

“Glória a Deus nas alturas

e paz na terra aos homens por ele amados!”

O direito de morrer dignamente: reflexões sobre eutanásia, distanásia e ortotanásia na perspectiva do biodireito e dos direitos humanos.



(texto que serviu de roteiro para seminário apresentado no Mestrado em Direitos Humanos, na disciplina Biodireito e Direitos Humanos, ministrada pelo professor Dr. Robson Antão de Medeiros).

RESUMO. O artigo procura problematizar os conceitos de eutanásia, distanásia e ortotanásia, discutir o processo de apropriação da morte pela medicina à luz do direito de morrer com dignidade, refletindo sobre esses temas na perspectiva do biodireito e dos direitos humanos.

Palavras-chave: eutanásia, distanásia, ortotanásia, biodireito, direitos humanos.

ABSTRACT. The article tries to problematize the euthanasia, orthotanasia and disthanasia concepts, to discuss the process of appropriation of the death for the medicine to the light of the right of dying with dignity, thinking about those themes in the perspective of the bio law and of the human rights.

Keywords: euthanasia, disthanasia, orthotanasia, bio law, human rights.

Introdução

Morrer faz parte do mistério da vida. Mistério, neste caso, não deve ser entendido como algo totalmente incompreensível, ou que só pode ser tangenciado pelo misticismo, e sim como enigma. Este, mesmo que não possa ser desvendado integralmente, pode ser investigado por várias áreas do conhecimento humano. A propósito, mesmo no âmbito religioso, mistério não é objeto de todo impenetrável, mas algo que se revela e se esconde. Além disso, o mistério se caracteriza por ser uma realidade complexa na qual o sujeito que quer conhecer está imerso na realidade a ser conhecida. Refletir sobre a morte, por exemplo, não é cogitar sobre um objeto exterior ao ser humano, mas aprofundar questão existencial inerente ao próprio ser humano.

Sobre a morte e o morrer muito já se falou. Mitologia, filosofia, ciência, literatura, sabedoria popular e teologia, de ontem e de hoje, daqui e dalhures, todas têm uma palavra a dizer sobre esse fenômeno. Mas se por um lado a lei da morte é inexorável, pois como resume Shakespeare, “all that lives must die, passing through nature to eternity” (2001, p. 33), por outro, há muitos modos de morrer, alguns considerados mais dignos que outros.

Nos dias atuais, com o grande desenvolvimento das tecnologias utilizadas nas práticas médicas, alguns dos modos de morrer passaram a ser controlados pela Medicina. Nas Unidades de Terapia Intensiva (UTIs) é possível prolongar por muito tempo funções vitais do paciente, o que suscita sérias questões éticas sobre o direito de morrer e suas relações com os direitos fundamentais à vida e à dignidade da pessoa.

Este trabalho tem como objetivos refletir sobre o processo de apropriação do direito de morrer pela medicina, problematizar a distinção entre os conceitos de eutanásia, ortotanásia e distanásia e enfatizar a importância desses direitos na perspectiva do biodireito e dos direitos humanos.

Para ler o texto na íntegra, clique aqui.

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