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Religio

quarta-feira, 25 de janeiro de 2012

Terra da Luz



A Lei de Moisés prescrevia que a parturiente que desse à luz um filho ficaria impura por sete dias, como na impureza da menstruação. No oitavo dia, faria circuncidar o menino, e a mulher ficaria purificando o sangue por mais trinta e três dias, sem participar do culto. Só depois, deveria levar animais ao sacerdote para o ritual de purificação. Se tivesse posses, compraria um cordeiro; se não, duas rolas ou um par de pombinhos para o sacrifício.

Quarenta dias após o nascimento do filho, Maria foi com José ao templo. Como não tinham muitos bens, fizeram a oferenda dos pobres. Com eles levaram o menino, para apresentá-lo ao Senhor. Foi quando o velho Simeão, movido pelo espírito dos céus, tomou aquela criança nos braços e bendisse a Deus dizendo: Agora, Soberano Senhor, podes despedir em paz teu servo, porque meus olhos viram a salvação que preparastes, luz para iluminar as nações.

A devoção à Senhora da Luz está intimamente ligada à festa da Apresentação do Senhor, celebrada em dois de fevereiro. Nesse dia, a Igreja eleva aos céus o canto evangélico:

O ancião toma o Menino nos seus braços,
mas o Menino é o Senhor do ancião;
uma Virgem dá a luz ficando virgem
e adora Aquele mesmo que gerou.

Maria é aquela que gerou o Menino. Foi por ela que a luz chegou até nós. Por isso, costuma ser representada como uma Senhora com os pés sobre as nuvens, trazendo ao colo o Menino Jesus. Este, na mão esquerda sustém o globo terrestre, enquanto acena com a direita. Já a Senhora, com a mão direita, oferta aos devotos uma vela de cera. É a Senhora da Luz, cuja devoção tornou-se muito popular em Portugal a partir do século XV, quando Pedro Martins descobriu uma imagem de Nossa Senhora, envolta em luz, nos arredores de Lisboa. Também foi das terras lusitanas, lá das bandas de Beiriz, que nos foi trazida a imagem de nossa Santa Padroeira.

Vivemos na Terra da Luz, festejamos a Festa da Luz. Mas aqui, a despeito de tantas bênçãos da Senhora e do Menino, também temos trevas a ser dissipadas. Trevas da ignorância, alimentadas pela falta de boa vontade de quem não quer o povo educado; trevas do crack e de outras drogas, ilícitas ou lícitas, que escravizam, geram violência e morte; trevas do descaso com a coisa pública, de quem não se importa que a cidade viva o caos ou conviva com lixão e imundície a céu aberto; trevas da injustiça social, da exploração do trabalho, do desemprego e subemprego; trevas da falta de consciência, de quem polui o solo e o ar de todos, ou o silêncio e a paz alheias; trevas da omissão de todos nós, que calamos a indignação e cruzamos os braços, mesmo quando podemos acender uma luz.

Num dos seus sermões, lido na liturgia das horas, São Sofrônio diz que, do mesmo modo que a Virgem trouxe nos braços a verdadeira luz e a comunicou aos que jaziam nas trevas, assim também nós, iluminados pelo seu fulgor, devemos correr ao encontro da luz, e exorta para que ninguém fique excluído desse esplendor. Que o nosso compromisso, de todos que dizemos amar nossa terra, seja o da luta diária contra aqueles que, por ação ou omissão, contribuem para abandoná-la ao domínio das trevas. Só assim construiremos a Terra da Luz.
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