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[Guarabira] -

Religio

quinta-feira, 23 de junho de 2016

A lista




“Se um veleiro repousasse na palma da minha mão...”  Quando aquela menina, linda e talentosa, começou a cantar em minha homenagem, percebi que um veleiro de emoções seguiria com sentimento rumo ao meu coração, como diz a letra da canção. Além da música, tantas palavras lisonjeiras foram dirigidas aos homenageados da noite. O propositor da honraria a mim concedida, a medalha Osmar de Aquino, disse que falar de bem a meu respeito em nossa cidade era “chover no molhado”. Fiquei feliz com o que ouvi – afinal, quem não gosta de elogio?! – mas sempre me vinha a mente o pensamento de Aristóteles: a grandeza não consiste em receber honras, mas em merecê-las, e penso que o mais importante é, no dia a dia, fazer por merecer o que de bom nos é dado pelas pessoas com quem convivemos. Por isso, na minha fala, procurei compartilhar com elas a homenagem que recebi. Como não tive tempo de preparar um pronunciamento escrito, como recomenda o protocolo numa ocasião como aquela, vali-me de uma lista.
As listas sempre foram utilizadas na história humana para os mais diversos fins. Para descrever o povoamento da terra, o redator do capítulo 10 do Gênesis recorreu à lista dos povos, mesclada de nomes e fatos, elaborada à visão dos hebreus, de que genealogia era bem mais do que  simples descendência. Se os direitos dos indivíduos eram fruto da participação no clã e na tribo, a lista representava uma prova escrita dessa pertença. Outra lista importante para os judeus foi a de Schindler, que se transformou num estrondoso sucesso nas telas do cinema, no filme de Spielberg. Fazer parte daquela lista representava a diferença entre viver ou morrer, e como diz a frase do Talmude, gravada no anel dado a Schindler por seus trabalhadores, “aquele que salva uma vida salva o mundo inteiro”.
 

Existem outras listas que, dependendo da ocasião, podem ter serventia ou causar aborrecimento. Lista de convidados para uma festa normalmente nos deixa em dificuldade, seja em razão do orçamento, seja dos critérios para quem deixar de fora; lista de presentes de casamento, que faz muito convidado correr à loja para comprar o seu e não ficar com a opção dos mais caros. Se a lista telefônica, tão requisitada em outros tempos, hoje sucumbiu ao mundo virtual do google, este nos apresenta não só playlists de todos os gêneros musicais, mas listas para todos os gostos. Os “top 10” vão desde filmes e séries até os piores casos de corrupção na história brasileira, passando por outras esquisitices do mundo bizarro em que às vezes navegamos

Entre as várias listas que povoam nosso cotidiano, uma das que pode ser útil ou causar  aflição é a lista de compras. Nas poucas vezes que vou ao supermercado desacompanhado, mesmo com ela na mão, acabo ligando para minha esposa, indagando sobre os produtos que devo levar, e pergunto a mim mesmo: se toda vez ligo pra ela, para que então me serve a lista?  Ainda bem que não sofro, como o artista da música lista de compras de Amado Batista. O sujeito fica se lamentando, com saudades de quando era garotinho e namorado da esposa, nos tempos que não voltam mais, porque depois de casado, quando chega o fim de semana, em vez do namoro, o que lhe espera é uma lista mostrada pela mulher, que diz estar faltando desde o gás, arroz, café, açúcar e feijão até uma borracha para panela de pressão. E assim, como diz a música, “vai seguindo a lista, e o bolso do artista sem nenhum tostão.”

Mas voltando à lista que utilizei para minha fala, ela poderia ser traduzida nos verbos agradecer e dedicar. No topo da lista, como não poderia deixar de ser, constava o nome de Deus. Se nele vivemos, nos movemos e existimos, como disse Paulo no areópago, nada é possível de se fazer sem Ele. Depois lembrei os antepassados. Somos descendência de Deus, mas a vida chega até nós  pelos que nos antecederam.  Fiz menção ao único avô que conheci, de quem herdei o nome. Homem do campo, simples e de poucas letras, de gestos contidos e laconismo agreste, como já me referi em outro escrito a ele dedicado. Aos meus pais, exemplos de professores honrados, cujo sangue corre em nossas veias, minhas, de meus irmãos e meus filhos.  À minha esposa, que se não é sangue do meu sangue,  é carne de minha carne, unidos que somos pelo amor, a “livre entrega do coração”.

E como cada um de nós é formado não só no seio da família, mas por todos os grupos do qual fazemos parte, agradeci e dediquei a honraria aos professores de todas as escolas de nossa cidade onde estudei, desde o Antenor Navarro até a Universidade Estadual, destacando a importância dos que atuam na UEPB, onde sou professor, e da Vara do Trabalho de Guarabira, onde sou juiz.


Por fim, o veleiro de emoções, que tocou meu coração a partir da bela interpretação da menina Ranna, dirigiu-se a todos os presentes naquele evento. Se uma medalha é conferida por representantes do povo, a este devo eterna gratidão, com o compromisso de continuar, na medida do possível, retribuindo com trabalho e dedicação, o muito que Guarabira, terra de Osmar de Aquino e minha terra, tem dado a mim e aos que fazem de mim o que eu sou.
                               

terça-feira, 31 de maio de 2016

Aprendiz do direito, da justiça e da esperança.

           


Num mês de maio, há 23 anos, ingressei na magistratura, eu, que nunca na vida tinha sonhado ser juiz. Quando menino, jogando bola na rua, até o nome juiz era usado para fazer medo: – Parem já com essa brincadeira, senão vou pedir ao juiz para tomar a bola e proibir esse jogo de vocês. E Juiz do Trabalho?! Naquele tempo eu nem sabia que havia esse tipo de juiz. Na escola sempre fui estudioso, mas nunca me passou pela cabeça fazer o curso de Direito. Meu primeiro vestibular foi para Sociologia e, modéstia à parte, passei com nota boa para qualquer outro curso. Meu pai viajou comigo até a Universidade para fazer a pré-matrícula, mas depois que saiu o resultado do outro vestibular, não hesitei nenhum instante. Melhor fazer Letras, à noite, e trabalhar de dia, ainda que tivesse de viajar por estrada de poeira ou lama, pois era aquele caminho que me permitia ser Regente de Ensino, em caráter precário e temporário, como dizia a portaria assinada pelo Governador Burity, era aquele caminho que me tornava o que eu queria ser, aos dezoito anos, um “bem-sucedido” aprendiz de professor.
            
O tempo e a insistência do meu irmão, porém, conduziram-me a outros caminhos: – Rapaz, tu vais ficar a vida toda como professor? Ele, que também dava aulas, sabia das dificuldades do magistério, da vida dos nossos pais, professores, que sempre honraram a profissão, mas não tinham como se pabular dos contracheques. Enveredei, então, pelas trilhas sinuosas do mundo jurídico. Mas mesmo na Faculdade, quando fui tomado de paixão pelas letras jurídicas, o Direito do Trabalho ainda não me despertava o interesse.
            
Diploma na mão, sem ter recebido orientação ou encaminhamento de ninguém da área, minha prática forense só ocorreu, de fato, no Centro de Direitos Humanos da Diocese. Compartilhar a luta dos trabalhadores por terra e por respeito a direitos sociais básicos foi o que me levou a ingressar na Justiça do Trabalho. Em maio de 1990, tomei posse como servidor. Três anos mais tarde, tornava-me juiz, também num mês de maio.
            
Diferente do meu irmão, que desde que se entendeu por gente dizia que um dia seria médico, minha vocação foi sendo revelada nos chamados que a vida ia anunciando, mas igualzinho a ele, os desígnios de Deus me deram a sorte de continuar professor. Se a sala de audiência me dá a chance de procurar distribuir justiça, que não é luxo nem privilégio, mas condição de vida digna para todos, pois onde há justiça não falta pão nem escola, salário e remédio, a sala de aula é o espaço de compartilhar desejos, de ser ao mesmo tempo mestre e aprendiz. No solo dos corações inquietos dos jovens, na fecundidade de suas mentes criativas e criadoras, procuro lançar sementes do que aprendi nos capítulos dos livros e da vida. Deles recebo o salário do afeto, que não cabe em nenhum contracheque, além de ensinamentos que só a santa rebeldia dos jovens pode nos dar. Isso me faz acreditar que nem tudo está perdido, e a tocha da esperança pode ser bem conduzida pelas novas gerações.
            
Por vezes, a esperança me vem à mente não feito tocha, mas como fogo de monturo. Destroços de trampolins da ambição política, avolumados pelo vai e vem das crises, parecem ter extinto a chama, mas ela continua lá, alimentada pelo ardor constante de quem persiste na resistência, de quem não age como o incendiário que “toca fogo e sai de perto”, apenas pelo prazer de ver o circo pegar fogo, contanto que esteja longe, nem como fogo de palha, inflamado pela empolgação passageira. Para mantê-la acesa, é preciso compreender que direito e justiça não são bondades de governantes, que sobem e descem nas gangorras do poder, mas conquistas, provisórias e gradativas, frutos da organização e da luta cotidiana pela dignidade, vista não como uma coisa abstrata, mas como o acesso aos bens materiais e imateriais necessários para alguém ser realmente gente. Dignidade humana é, antes de tudo, o direito que todo ser humano tem de ser protegido e cuidado desde o ventre materno, nascer como gente, viver como gente, morrer como gente, ter exéquias de gente e partir para eternidade como gente. Para isso, o Direito do Trabalho, que me faz juiz e professor, dá não somente aos meus o pão de cada dia, mas pode ajudar a garantir a muitos o pão da justiça e da dignidade, mantendo ardente a chama da esperança.

sábado, 30 de abril de 2016

O patrimônio dos deserdados



          Quando meu pai, em 21 de abril de 1986, completou sessenta anos, dei a ele o livro   “Assim morreu Tancredo”, com esta dedicatória:
“Papai. Faz um ano que morreu um homem que, por sua dedicação à pátria, tornou-se imortal. E hoje é aniversário de um homem que, por seu amor aos filhos, já é imortal. Feliz aniversário.”
           
O livro traz o depoimento de Antônio Britto, escolhido para Secretário de Imprensa e Divulgação do Governo, ao repórter Luís Cláudio Cunha, sobre a “dor e a agonia dos últimos 38 dias de vida do Presidente Tancredo Neves.”  Tocar aquelas folhas, com frases sublinhadas a grafite por meu pai, e uma folhinha do Sagrado Coração improvisada como marca página, leva-me a refletir sobre o legado de Tancredo Neves e a esperança da construção de uma Nova República, por tantos sonhada, inclusive por mim e por meu pai.
            
Nos anos anteriores à morte de Tancredo, tínhamos vivido a campanha das Diretas Já, com Teotônio Vilela a peregrinar pelo Brasil, espalhando a esperança e transformando sal em mel, como diz a canção.  Embalado por esse ideal, tive a honra de fazer o discurso de formatura em nome das turmas de Licenciatura de nossa Faculdade, em julho de 83. Em minha fala lembrei da realidade difícil de desemprego, desigualdade social e marginalização, e do desafio de atuarmos como professores numa sociedade em crise, sem perdermos a fé em nossos ideais.
            
Em abril do ano seguinte, em vez das Diretas, veio a frustração. Com a “Emenda Dante Oliveira” derrotada no Congresso, o jeito era deixar que o Colégio Eleitoral votasse por nós. Mesmo assim, como fruto da negociação política nos limites do que então se permitia, assistimos no ínicio de 85, à última eleição indireta de um Presidente da República que, naquele momento, representava a utopia possível e concreta. Na véspera da posse, porém, veio a notícia da doença. Depois, as seguidas cirurgias, a agonia, até a morte anunciada em 21 de abril. Era um domingo à noite, e após o Fantástico, o hino nacional, entoado por Fafá de Belém, fazia-se ouvir em todo o país, na mesma voz que embalara a peregrinação do Menestrel das Alagoas.
            
Aquele Presidente, que “fez e não viu a Nova República”, não chegou a nos governar, mas nos deixou um legado. Lembro que em janeiro de 1988, quando me foi dada, mais uma vez, a honra de falar em nome de nossa turma, desta feita na formatura de Direito, de novo me reportei à crise econômica, política, moral e institucional reinante à época. Mas como palavra de ânimo, invoquei o pensamento de Tancredo Neves, para quem “a esperança é o único patrimônio dos deserdados, e é a ela que recorrem as Nações, ao ressurgirem dos desastres históricos.”
            
Vivemos mais uma crise econômica e política, alimentada pela crise moral de alguns dirigentes da República. Um governo de coalização quebrou-se em duas bandas. Cada uma, sem a humildade e a sabedoria da autocrítica, acusa a outra de ser a banda podre, quando a corrupção estava entranhada no núcleo desse casamento político, desfeito com ares e xingamentos de um divórcio litigioso. Mãos que até ontem se afagavam, e juntas saqueavam nossas economias – afinal, corrupção não é crime que se pratique sozinho –, apedrejam-se sem medir as consequências dos seus atos para o futuro da nação.
            
Não deixemos que a crise se transforme num desastre histórico. Que ela seja tempo propício para aperfeiçoamento da República com que sonhamos. Para que desta crise possa nascer um futuro melhor para nosso povo, é preciso combater o discurso do ódio e a prática da intolerância, com os quais não se pode falar em “repactuação” ou “ponte para o futuro.” Que se respeitem as instituições democráticas, pois sem elas não há governo do povo. Que as conquistas sociais sejam não só mantidas, mas que a desigualdade social diminua, pois já se sabe que, nos últimos anos, para os pobres se tornarem menos pobres, os ricos tornaram-se ainda mais ricos. Só assim, a esperança, patrimônio dos deserdados, não será uma palavra vazia, mas a prática de uma utopia possível e concreta, a antecipação de um “dever ser” que pode se tornar realidade a cada dia, apesar da crise que o país vivencia.

sábado, 2 de abril de 2016

Sob o céu do Planalto


           
Comemorávamos o Ano Internacional da Criança. Entre as comemorações, a Liga da Defesa Nacional (LDN) realizou a Caravana de Integração Nacional. A Liga, que até então eu nem sabia que existia, tinha sido fundada em 1916 por Olavo Bilac. Seu estatuto listava, entre as finalidades, manter a ideia de coesão nacional, propagar a educação popular, difundir o amor à justiça e o culto ao patriotismo. E naquele ano, a LDN achou por bem premiar um “estudante símbolo” de cada cidade do Brasil, de preferência de escola pública e com maior média de aprovação final no ano anterior, com uma viagem de estudos a Brasília. O tal estudante símbolo acabou sendo eu, e a  viagem de estudos foi, na verdade, para prestigiar a posse do Presidente Figueiredo.
             
Quando soube da novidade, minha mãe ficou preocupada. Eu tinha quase dezesseis anos, mas nunca viajado para tão longe. No ônibus, conosco, iria o professor Balbino, que nos ensinava história na secção do Colégio Estadual. Conhecido por sua visão crítica, sua presença na caravana seria um contraponto a eventual ufanismo propagado no evento. Mas a preocupação de minha mãe, naquela hora, não era com patriotismo nem segurança nacional, e sim com a segurança do filho. Por isso, quando Balbino foi lá em casa, falar sobre a viagem, ela o submeteu quase a um interrogatório.
             
Saímos de João Pessoa na sexta depois do jantar e chegamos a Brasília na segunda à noite. Na quinta, dia da posse, ficamos na Esplanada, acenando bandeiras e vendo, de longe, o Presidente saudar os populares do parlatório. À tarde, num show com artistas da TV e cantores, o general Presidente falou da confiança depositada nos jovens de todo o Brasil, ali representados. A volta para casa, no dia seguinte, foi depois do almoço e das condecorações. Cada um recebeu uma medalha da LDN. Cheguei em casa no final da manhã da segunda. Trazia comigo muitas lembranças do que meus olhos tinham contemplado, especialmente do céu de Brasília, inspiração de músicos e poetas, que alguns defendem seja tombado como paisagem cultural brasileira. Era 19 de março de 1979, dia de São José e do aniversário de minha irmã.
            
Naquele ano, o assunto do momento era a abertura política. Na posse, o Presidente fez questão de enfatizar o propósito inabalável de fazer do país uma democracia. A gente  sabia, porém, que não se faz democracia por decreto, e que aquele tempo, como diz a canção de Chico, era uma página infeliz da nossa história. Nas sombras do poder  autoritário, a pátria mãe era subtraída em tenebrosas transações. Mas apesar de distraída, ela via a mobilização de seus filhos para iluminar o caminho de volta à normalidade democrática. A Lei da Anistia, que sempre me lembra Simone cantando “tô voltando”, foi aprovada já no primeiro ano do mandato do general Presidente.
            
De lá para cá outras luzes se acenderam. Temos hoje uma democracia que se constrói com negociações e conflitos, punhos cerrados e apertos de mão. Como reino imperfeitamente humano, dela não se pode esperar que seja um mundo apenas de claridades, pois a humana condição é feita de sombras e luzes. Mas nesse mundo imperfeito, as relações entre os filhos da pátria precisa de uma pauta mínima de convivência, com respeito às diferenças, com formas de resolver conflitos dentro da normalidade democrática. Nesta, se a lei não é o “pau que dá em Chico e em Francisco”, pois hoje nem no gato atiramos o pau, ela deve ser a soberana de um império em que não se admite ninguém acima dela.
            
Passados quase quarenta anos da caravana, e viradas algumas páginas infelizes de nossa história, ainda pairam nuvens carregadas nos céus do Planalto, que a todos nós envolve. Tenebrosas transações continuam a ser feitas, subtraindo nossa pátria mãe, talvez menos distraída. Como um dos seus filhos, penso  que não é bom para ninguém transformar os conflitos saudáveis de um ambiente democrático em ódio visceral por quem pensa diferente. Não é boa para ninguém a polarização maniqueísta e personalista que vivemos ultimamente. De um lado quem se comporta como devoto de um semideus, do outro, quem personifica a justiça numa espécie de vingador de toga. No reino imperfeito da democracia convivem as mais diversas formas de agir e de pensar, até de jararacas de distintas colorações, e de lobos em peles de cordeiro, de ideologias várias. Mas não deve ser um reino do vale-tudo, de fins justificando meios, do salve-se quem puder. Nela o importante é que a lei esteja acima de todos, não para esmagar a cabeça das jararacas, mas para tratá-las como merecem ser tratadas, tampouco para arrancar a pele dos lobos, mas retirar-lhes o disfarce de cordeiro. Que tenebrosas transações saiam das sombras para a luz, e nada se resolva com violência ou arbitrariedade. Isto sim, pode aperfeiçoar nossa democracia, que embora jamais chegue a ser de um azul sem manchas como o céu do Planalto Central, é a única que temos, e é dela que devemos cuidar.
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