
Compartilho o discurso e algumas imagens da solenidade.

Esta noite, na fundação da Academia de Letras do Brasil de Santa Catarina, seccional Guarabira, na qual tomo posse, junto com artífices da poesia e da prosa, da música e das artes plásticas, e tendo meu pai, João Epifanio, como patrono, peço licença para compartilhar essas palavras ditas por ele, que trago no fundo da alma e podem ser guardadas em outros corações. Afinal, como diz o poeta Antonio Cícero:
“Guardar uma coisa não é escondê-la ou trancá-la.
Em cofre não se guarda coisa alguma.
Em cofre perde-se a coisa à vista.”
No mundo de hoje, como eu gosto de repetir como um mantra, a melhor forma de guardar é compartilhar. De que valem as rimas trancadas nas páginas de um livro que ninguém lê? Para que serve a filosofia enclausurada em academia que ninguém entra?
A cada um nós, que passamos a fazer morada na Casa Alfeu Rabelo, é concedido o dom de tocar o coração dos outros, seja por palavras, sons ou imagens. Juntos nesta Academia, é mais fácil que esses dons se multipliquem, como na parábola dos talentos. Nela reunidos, por certo haveremos de potencializar o que de melhor trazemos dentro de cada um, quem sabe até como almas gêmeas, não no sentido de indivíduos que são carne e unha, mas de pessoas que juntas realizam bem mais do que podem fazer sozinhas.
Alguém pode dizer que esse projeto é irrealizável, que não há de durar muito tempo, e que a ninguém, como acadêmico, é dado ser imortal. Como seres temporários e finitos, certamente não escapamos da ação da natureza e do tempo, e a infelicidade, como nos lembra Freud, ronda-nos com seus três lados inclementes: o corpo condenado
à velhice e à morte; as forças inexoráveis e destruidoras da natureza; as relações humanas que não garantem uma vida feliz.
No entanto, quando se funda uma Academia de Letras, com finalidade de acolher escritores e artistas de vários segmentos, resgatando valores da comunidade em benefício da literatura, compartilhando conhecimentos e facilitando o acesso a saberes múltiplos sobre as artes literárias para oportunizar novos escritores, a imanente finitude humana é bem capaz de roçar a orla do infinito além de nós.

não significa o fim do amor, como vislumbra o jeito platônico de ver. E o amor não depende do corpo perecível, mas ultrapassa os umbrais da morte, a exemplo da obra do poeta Alfeu Rabelo, que no ano que meu pai veio ao mundo, já pretendia fundar uma Academia de Letras em Guarabira, sonho que hoje se torna realidade. Portanto, não é apenas a fundação da Academia, mas a ação do amor que a criou, que pode garantir a imortalidade que nos é possível, como também nos diria o mestre Platão.
Que Deus nos conceda que estejamos fundando uma Academia que não nos leve ao isolamento em uma torre de marfim, mas permita que nossos dons sejam partilhados entre nós e com a comunidade em que vivemos. Que a Senhora da Luz, padroeira da terra de Alfeu Rabelo, e de todos nós Protetora, ilumine nossos caminhos, para que sejamos centelha do amor que não morre, pois se compartilha nos corações dos outros pelas letras e pelas artes.
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Texto magnífico! Que as palavras carregadas dos mais puros e inegáveis sentimentos despertem nos jovens a sede de imortalidade através das artes, sobretudo, as literárias!
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