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Religio

sábado, 16 de julho de 2011

MEDO DO INFERNO?

Das pregações que o padre fazia nos meus tempos de criança, ficaram-me na memória as cores fortes com que ele pintava o inferno. Eu, menino, imaginava o vermelho de labaredas terríveis e o pretume do caldeirão do diabo. E aquela história dos cabritos e das ovelhas no Juízo Final, das trevas e ranger de dentes... Tudo me parecia medonho. Até pronunciar o nome inferno soava como blasfêmia, tanto que fiquei um tanto chocado quando, pela primeira vez, ouvi a música de Roberto Carlos, Quero que vá tudo pro inferno.

Hoje o inferno não aparece tão medonho nas homilias que ouço, e nem sei se o TOC do rei lhe permite cantar aquela música que fez tanto sucesso nos anos de minha infância. Mas penso que ainda se pode conjecturar sobre o inferno. Por isso, trago à reflexão alguns breves pensamentos sobre o inferno, além de resumos de ideias extraídas de dois livros, um de Leonardo Boff e o outro, de Andrés Torres Queiruga, que falam sobre esse tema.

Deixai toda a esperança, vós que entrais.

Lasciate ogni speranza, voi ch’entrate.

D. Alighieri (poeta italiano, 1265-1321), Inferno, III, 9.

Não há necessidade da grelha, o inferno são os Outros.

Pas besoin de gril, l’enfer, c’est les Autres.

J. P. Sartre (filósofo francês, 1905-1980).

O inferno (...) é não mais amar.

L’enfer, (...) c’est de ne plus aimer.

G. Bernanos (escritor francês, 1888-1948).

5 comentários:

Alexandre Roque disse...

Caro Antônio, obrigado por compartilhar conosco esses dois textos. Eu tenho pensado muito sobre isso e escrevi um texto intitulado "Reflexões acerca do inferno", que pretendo publicar um dia. Grande abraço.

Antônio Cavalcante disse...

Obrigado, Alexandre. É sempre bom compartilhar textos que nos levem à reflexão. Um abraço!

Joel Cavalcante disse...

Confesso quando criança e adolescente esse medo também me assaltava sempre... Ainda mais porque, naquele tempo, eu era evangélico e o discurso sobre o inferno era muito forte.
Acho que foi João Paulo II que disse que o inferno é a ausência de Deus... Isso me parece mais óbvio para descrever esse "território". Bem como a frase de G. Bernarnos: "O inferno (...) é não mais amar."

Antônio Cavalcante disse...

Ainda hoje existem aqueles que se utilizam de um discurso "forte" sobre o inferno, como forma de manipulação das pessoas. Um abraço, Joel.

Michele disse...

Olá querido seguidor,

Comunico que o Blog da Michele mudou de nome e caminho. Com pseudônimo registrado para assegurar meus direitos autorais em relação a textos pessoais o nome e caminho do Blog agora:

Michele Santti
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