Segunda-feira, 18 de maio: dia anterior à sessão da Turma. Como de costume, atendi advogados, revisei a pauta do dia seguinte e decidi o que estava por decidir. Entre uma coisa e outra, numa conversa com uma das integrantes da equipe, ela me disse que estava completando trinta e seis anos como servidora do TRT. Ao parabenizá-la, me toquei que eu também tinha o que comemorar naquela segunda. É que fui servidor do tribunal antes de ser juiz, e a nossa posse foi no mesmo dia.
Ela, cuidadosa que é, tinha guardado a página do Diário da Justiça do Estado da Paraíba, de 24 de fevereiro de 1990 – na época, era nele que se publicava material não só de órgãos estaduais –, com a lista dos aprovados no concurso, e pouco depois me enviou a foto pelo whatsapp. Na lista aparece meu nome como aprovado para o cargo de Técnico Judiciário, e o dela, para Auxiliar Judiciário.
Tento me convencer, como no verso de Manoel de Barros, que compreendo tudo que faço só depois que já fiz. No ano de 1989, quando fizemos o concurso, eu atuava como advogado do Centro de Direitos Humanos da Diocese de Guarabira. Prestávamos assistência a trabalhadores rurais que lutavam pela conquista do seu pedaço de chão, na mística da Comissão Pastoral da Terra. Também fazíamos as “contas” dos direitos trabalhistas, principalmente de trabalhadores de uma usina, para eventualmente ingressarmos com ação na Junta de Conciliação e Julgamento de Guarabira. Não tínhamos preocupação com honorários, pois o projeto era financiado por entidades europeias, que faziam doações para igrejas locais de países pobres, o que incluía remuneração fixa para advogados de pessoas carentes, num valor que superava meu salário como professor do Estado. Mas o ingresso no TRT me fez abandonar o trabalho junto à Diocese, que serviu, de fato, como minha prática forense. Guardo com orgulho minha carteira profissional assinada pelo bispo Dom Marcelo Pinto Carvalheira.
Dia 21 de maio. Antes da sessão do Pleno, um colega juiz lembrou que ele, eu e outra desembargadora tínhamos tomado posse como juízes substitutos há exatos trinta e três anos, num concurso em que nem todas as vagas foram preenchidas. Nunca esqueço que naquela posse, diferente da primeira, estavam presentes minha esposa – havíamos casado no ano anterior –, minha mãe e meus irmãos. De lembrança da cerimônia só tenho um pequeno vídeo do momento da posse, enviado por outro colega. Nenhuma foto minha ou da família. Quando comentei sobre isso no gabinete, outro servidor me aconselhou a pedir a Assessoria de Comunicação do tribunal para vasculhar seus arquivos à procura de fotografias daquele dia. Vou seguir o seu conselho. Tomara que encontrem algum registro.
No último 30 de abril tomei posse como desembargador do tribunal. Foi a posse administrativa, na sala da Presidência, diante da Presidente do TRT. Além desta e da desembargadora Vice-Presidente, lá estavam a colega desembargadora promovida antes de mim, e os outros três desembargadores que compõem a Turma da qual faço parte. Na ocasião, também estavam presentes minha esposa, minha filha mais nova, servidores do meu gabinete e de outros setores do tribunal. A ratificação da posse, em sessão solene, ocorreu no dia 29 de maio.
Fico pensando se essas posses no mês de maio são coincidência ou capricho do destino. Mas creio que nenhuma nem outra coisa exclui a Providência Divina. Aprendi que nada pode nos afastar do amor e da ação de Deus, pois como diz a Sagrada Escritura, nele vivemos, nos movemos e existimos. Daí não ser despropositado o pensamento atribuído a Einstein – não tenho prova se ele disse isso e acho que ninguém tem –, de que coincidência é o nome de Deus quando Ele quer ficar anônimo.
Ela, cuidadosa que é, tinha guardado a página do Diário da Justiça do Estado da Paraíba, de 24 de fevereiro de 1990 – na época, era nele que se publicava material não só de órgãos estaduais –, com a lista dos aprovados no concurso, e pouco depois me enviou a foto pelo whatsapp. Na lista aparece meu nome como aprovado para o cargo de Técnico Judiciário, e o dela, para Auxiliar Judiciário.
Tento me convencer, como no verso de Manoel de Barros, que compreendo tudo que faço só depois que já fiz. No ano de 1989, quando fizemos o concurso, eu atuava como advogado do Centro de Direitos Humanos da Diocese de Guarabira. Prestávamos assistência a trabalhadores rurais que lutavam pela conquista do seu pedaço de chão, na mística da Comissão Pastoral da Terra. Também fazíamos as “contas” dos direitos trabalhistas, principalmente de trabalhadores de uma usina, para eventualmente ingressarmos com ação na Junta de Conciliação e Julgamento de Guarabira. Não tínhamos preocupação com honorários, pois o projeto era financiado por entidades europeias, que faziam doações para igrejas locais de países pobres, o que incluía remuneração fixa para advogados de pessoas carentes, num valor que superava meu salário como professor do Estado. Mas o ingresso no TRT me fez abandonar o trabalho junto à Diocese, que serviu, de fato, como minha prática forense. Guardo com orgulho minha carteira profissional assinada pelo bispo Dom Marcelo Pinto Carvalheira.
Dia 21 de maio. Antes da sessão do Pleno, um colega juiz lembrou que ele, eu e outra desembargadora tínhamos tomado posse como juízes substitutos há exatos trinta e três anos, num concurso em que nem todas as vagas foram preenchidas. Nunca esqueço que naquela posse, diferente da primeira, estavam presentes minha esposa – havíamos casado no ano anterior –, minha mãe e meus irmãos. De lembrança da cerimônia só tenho um pequeno vídeo do momento da posse, enviado por outro colega. Nenhuma foto minha ou da família. Quando comentei sobre isso no gabinete, outro servidor me aconselhou a pedir a Assessoria de Comunicação do tribunal para vasculhar seus arquivos à procura de fotografias daquele dia. Vou seguir o seu conselho. Tomara que encontrem algum registro.
No último 30 de abril tomei posse como desembargador do tribunal. Foi a posse administrativa, na sala da Presidência, diante da Presidente do TRT. Além desta e da desembargadora Vice-Presidente, lá estavam a colega desembargadora promovida antes de mim, e os outros três desembargadores que compõem a Turma da qual faço parte. Na ocasião, também estavam presentes minha esposa, minha filha mais nova, servidores do meu gabinete e de outros setores do tribunal. A ratificação da posse, em sessão solene, ocorreu no dia 29 de maio.
Fico pensando se essas posses no mês de maio são coincidência ou capricho do destino. Mas creio que nenhuma nem outra coisa exclui a Providência Divina. Aprendi que nada pode nos afastar do amor e da ação de Deus, pois como diz a Sagrada Escritura, nele vivemos, nos movemos e existimos. Daí não ser despropositado o pensamento atribuído a Einstein – não tenho prova se ele disse isso e acho que ninguém tem –, de que coincidência é o nome de Deus quando Ele quer ficar anônimo.
Nota do editor: Gostaríamos também de compartilhar as seguintes reportagens sobre a posse:

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